07 agosto 2009

“QUANTAS MADRUGADAS TEM A NOITE”

"Quantas Madrugadas tem a Noite", Ondjaki: “Não tenho dinheiro, num vale a pena te baldar. Mas, epá, vamos só desequilibrar umas birras; sentas aí, nas calmas, eu te pago em estória, isso mesmo, uma pura estória daquelas com peso de antigamente, nada de invencionices de baixa categoria, estorietas, coisas dos artistas: pura verdade, só acontecimentos factuais mesmo. A vida não é um carnaval? Vou te mostrar alguns dançarinos, damos e damas, diabo e Deus, a maka da existência. Transformo só o material pra lhe dar forma, utilidade. O artista molha as mãos pra trabalhar o destino do barro? Eu molho o coração no álcool pra fazer castelo das areias em cima das estórias… Uma noite, quantas madrugadas tem?”

Avilo (amigo) uma história (ou várias histórias) relatada de uma forma muito divertida (muito ao estilo da linguagem angolana). Histórias de pessoas contadas com muito humor e imaginação. Tudo gira à volta de um morto (?), o AdolfoDido, que acaba por ser preso pela kabomba (polícia) e é disputado por duas viúvas ditas legítimas e no meio disto fala-se, ainda, da criação de um sindicato muito especial, o SNP (descobrir o significado no livro)… O relato desta história apresenta, ainda, outras personagens peculiares e reflexões sobre os tugas (portugueses), o racismo e mesmo Jesus Cristo…

“Uma noite quantas madrugadas tem? Andas a contar? Eu não. Lhes apanho só, conforme lhes vejo e sinto. Atrevo: uma só noite tem bué de madrugadas; cada uma dessas madrugadas tem bué de brilhos. Confesso-me aqui, nos lábios da sinceridade: gosto muito disso – acreditar no impossível das palavras, lhes maltratar no português delas, ser livre na boca das estórias e me deixar tar aqui, sentado dentro de mim, abismático. E Sonhar! Sonhar até chegar nesse quintal onde dentro de mim nascem barulhos e não só: nascem brilhos. Vejo búzios que riem à toa e aprendo: posso descansar as vozes como se fossem conchas de pousar na areia depois de lhes apanhar numa noite de lua brilhante. Depois do barulho das vozes os búzios se calam e eu, no respeito, me calo também.” Conhecer melhor o escritor angolano: www.kazukuta.com/ondjaki




Saber um pouco de Angola:


Capital: Luanda Fronteira: é limitado a norte e a leste pela República Democrática do Congo, a leste pela Zâmbia, a sul pela Namíbia e a oeste pelo Oceano Atlântico (Angola inclui também o enclave de Cabinda, através do qual faz fronteira a norte com a República do Congo). Área: 1 246 700 km2 População: 16 900 000 hab (estimativa 2007) Densidade: 15,6 hab/km2 Clima: é caracterizado por duas estações, a das Chuvas, de Outubro a Abril e a do Cacimbo, de Maio a Agosto, mais seca e com temperaturas mais baixas. Língua: a língua oficial é o português. A segunda língua mais falada é o umbundo seguida do quimbundo ou kimbundu. Curiosidades: - O primeiro europeu a chegar a Angola foi o explorador português Diogo Cão.


- Foi uma colónia portuguesa até 1975, ano em que obteve a independência.



(Mapas: Pesquisa do Google)

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