26 dezembro 2008

SORRIR PARA A DIFERENÇA

Todos os projectos nos possibilitam o crescimento pessoal, levando-nos a encarar a realidade de forma diferente. Muitas vezes nascem de uma necessidade interior da partilha, do contacto com outras pessoas. No final do ano lectivo anterior estabeleci contacto com a Associação Portas P’ra Vida – Centro de Actividades Ocupacionais (C.A.O.), tendo sido recebida pela técnica do C.A.O., Mónica Nobre. Esta Associação acolhe pessoas com deficiência, procurando desenvolver actividades que promovam as suas capacidades e desenvolvam a sua autonomia. Deste contacto nasceu a ideia de desenvolver acções de voluntariado com os meus alunos. Assim, desde o início deste ano lectivo que estou a trabalhar com as turmas do Curso Profissional de Turismo, 11ºB e 12ºB, em parceria com o C.A.O.. Uma vez por mês cada turma desloca-se a esta instituição para dinamizar uma actividade lúdico-pedagógica. Os alunos do 11ºB levaram a música da tolerância, possibilitando momentos muito divertidos e alegres, que cantaram e dançaram com os nossos meninos especiais. Os alunos do 12ºB realizaram uma peça de teatro chamada “O velho, o moço e o burro”, contribuindo para a criação de momentos descontraídos de grandes gargalhadas e no final houve um lanche que proporcionou um grande convívio. O entusiasmo é evidente, a vontade de partilhar, de conviver com os utentes do C.A.O. é grande levando os alunos a questionarem-me constantemente: “Ó professora quando é que vamos, novamente, visitar os nossos meninos?” Por seu lado, os utentes do C.A.O. também nos têm visitado: deslocaram-se à Escola no dia da Feira Agrícola, já vieram visitar as nossas exposições sobre o “Dia Internacional da Tolerância” e o “Dia do não Fumador”.

Todos somos diferentes uns dos outros! Muitas vezes rejeitamos algumas pessoas porque achamos que “não são normais”, porque têm um aspecto diferente, mas é nessas pessoas que, muitas vezes, existem seres humanos fantásticos, de grande valor e que têm muito para partilhar e para nos ensinar. Frequentemente, preocupamo-nos porque não temos umas sapatilhas da moda, ou o telemóvel mais recente, preocupados com os bens materiais, esquecemo-nos do afecto. Para estas pessoas com deficiência um carinho, um abraço, um sorriso significa tudo. É o afecto que é importante, é a atenção, o sorriso que lhes dá esperança de viver. Eles desenvolvem uma luta contínua e diária para serem melhores, para serem mais autónomos, procuram dar tudo por tudo para alcançarem determinado objectivo. Vamos sorrir para a diferença, vamos despir-nos de preconceitos, vamos acarinhar quem é diferente.




(para o Jornal da Escola)

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